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A explosão Imobiliária
- EXAME - O mercado imobiliário brasileiro vive hoje a fase mais exuberante de sua história por qualquer critério que se analise este momento. A indústria de empreendimentos residenciais e comerciais deve movimentar neste ano cerca de 60 bilhões de reais, valor quase 80% superior às receitas registradas cinco anos atrás. Na bolsa de valores, o resultado das empresas brasileiras ligadas ao setor tem sido estupendo. Elas se tornaram a um só tempo as grandes estrelas dos pregões e um dos alvos preferidos dos investidores estrangeiros. As quatro grandes construtoras que abriram capital nos últimos meses, Cyrela Brazil Realty, Gafisa, Rossi Residencial e Company, captaram juntas mais de 3 bilhões de reais. A participação de investidores e fundos internacionais alcançou patamares inéditos. A previsão é que eles invistam 2,3 bilhões de reais em projetos residenciais e comerciais em 2001, essa cifra mal superou 110 milhões de reais. Graças a esses fatores (e ao aumento do crédito para o consumidor), condomínios residenciais e hotéis vêm sendo construídos numa velocidade sem precedentes. Atualmente, na região metropolitana de São Paulo, há cerca de 900 projetos de condomínios de casas e apartamentos em construção aumento de cerca de 50% em seis anos. "Hoje, o mercado brasileiro é um dos que oferecem mais oportunidades no mundo", afirma Thomas McDonald, vice-presidente executivo da Equity International Properties, fundo de investimentos que aplicou 50 milhões de dólares na compra de 32% da Gafisa.

Para entender as razões da pujança no mercado imobiliário brasileiro é preciso analisar primeiro o contexto mundial. Há uma expectativa generalizada de que está chegando ao fim o boom imobiliário nos Estados Unidos. Depois de quase cinco anos de aquecimento, os preços dos imóveis americanos atingiram níveis praticamente insustentáveis. "Há riscos nos Estados Unidos, por isso vamos explorar novos mercados em lugares como Brasil e Índia", disse recentemente, em entrevista ao jornal inglês Financial Times, Seek Ngee Huat, presidente do GIC, braço de investimento do governo de Cingapura, que administra 100 bilhões de dólares de reservas internacionais. Outra explicação para o otimismo no Brasil é que países emergentes como o México já viveram o auge do mercado imobiliário. Estima-se que, entre 2000 e 2004, o México tenha recebido 1 de cada 5 dólares investidos no setor em toda a América Latina, o que resultou numa valorização de mais de 60% de seus imóveis. Desde o ano passado, entretanto, esse ritmo de crescimento vem sendo desacelerado. "O Brasil entrou no radar porque os investidores estão buscando agora a rentabilidade que já tiveram em outros países", diz Zeca Grabowsky, sócio do banco Pactual. "Somos a bola da vez."

Radiografia da expansão
Veja a evolução dos principais indicadores do setor imobiliário brasileiro nos últimos cinco anos (valores em reais)

Faturamento
2001 34 bilhões
Atual 59,6 bilhões

Investimentos
2001 21,7 bilhões
Atual 45,9 bilhões

Financiamentos concedidos
2001 8,5 bilhões
Atual 17,5 bilhões

Número de imóveis financiados (em mil unidades)
2001 413,8
Atual 612

Investimentos realizados com capital estrangeiro
2001 0,1 bilhão
Atual 2,3 bilhões

Fontes: CIBC, Embraesp, Abecip, incorporadores e securitizadoras

Para esses investidores ávidos por ganhos expressivos, o mercado imobiliário brasileiro está hoje apoiado num tripé tentador: um enorme déficit de moradias, novas formas de financiamento e regras mais claras para regulamentar o setor. "Investir agora é garantir vantagem competitiva fundamental em relação aos concorrentes", diz Alessandro Vedrossi, diretor para a América Latina de novos negócios da GMAC-RFC, braço imobiliário da General Motors.




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